Philodendron Pink Princess com folhas verdes e variegação rosa sendo observado em ambiente interno

Philodendron Pink Princess: Características, Identificação e Ficha Botânica

Catálogo Botânico
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O Philodendron Pink Princess é uma das cultivares ornamentais de folhagem mais reconhecíveis do gênero Philodendron, principalmente pelas folhas verde-escuras a vinho, marcadas por setores e manchas em diferentes tonalidades de rosa. Seu nome botânico está associado à espécie Philodendron erubescens K.Koch & Augustin, uma arácea trepadeira nativa da Colômbia. 

Mais do que uma planta de interior valorizada pela aparência incomum, a Pink Princess é um exemplo interessante de variegação foliar, de cultivo seletivo e de propagação vegetativa. A combinação entre a morfologia característica de P. erubescens e o padrão irregular de coloração torna a cultivar particularmente importante no comércio de plantas ornamentais e entre colecionadores. 



O que é o Philodendron Pink Princess?

O Philodendron Pink Princess é uma cultivar de Philodendron erubescens, pertencente à família Araceae. É uma planta herbácea perene e trepadeira, originária da Colômbia, reconhecida principalmente pelas folhas verde-escuras com variegação rosa irregular e pelos caules avermelhados. 

Portanto, Pink Princess não é uma espécie botânica independente. O nome identifica uma forma cultivada de Philodendron erubescens. Essa distinção é importante porque muitas plantas comercializadas com nomes semelhantes são confundidas entre si.


Ficha técnica do Philodendron Pink Princess

CaracterísticaInformaçãoClassificação
Nome popularPhilodendron Pink Princess, filodendro Pink PrincessCultivar ornamental
Nome botânicoPhilodendron erubescens ‘Pink Princess’Cultivar
FamíliaAraceaeArácea
GêneroPhilodendron SchottGênero
EspéciePhilodendron erubescens K.Koch & AugustinEspécie aceita
SubfamíliaAroideaeClassificação infragenérica
TriboPhilodendreaeClassificação infragenérica
Origem da espécieColômbiaAmérica do Sul
Tipo de plantaHerbácea perene, trepadeiraCrescimento ascendente ou apoiado
CauleAlongado, avermelhado a vermelho-esverdeadoProduz raízes nos nós
FolhasSimples, inteiras, cordadas a ovado-triangularesVerde-escuro com variegação rosa
InflorescênciaEspádice envolvido por espataEstrutura típica das Araceae
FloraçãoPossível, porém pouco comum em cultivo domésticoMais associada a plantas maduras
PropagaçãoVegetativa por segmentos de cauleMantém características da cultivar
LuminosidadeLuz intensa filtrada ou indiretaEvitar sol forte direto
SubstratoSolto, poroso e bem drenadoRico em matéria orgânica
RegaModerada, conforme a secagem do substratoEvitar encharcamento
TemperaturaTropical e quenteSensível ao frio
ToxicidadePotencialmente tóxica se ingeridaCristais de oxalato de cálcio
Uso principalOrnamentalColeções e ambientes internos
Nível de dificuldadeIntermediárioExige atenção à luminosidade e à variegação

A espécie Philodendron erubescens é reconhecida pelo Kew como uma espécie aceita, nativa da Colômbia e de hábito trepador. A RHS reconhece ‘Pink Princess’ como cultivar e descreve a planta como perene tropical, com caules aderentes ou pendentes, folhas verdes profundas com manchas claras e rosas e crescimento de aproximadamente 1 a 1,5 m em suas condições de cultivo. 


Taxonomia do Philodendron Pink Princess

A classificação correta começa pela espécie que está por trás da cultivar.

Reino: Plantae
Filo: Streptophyta
Classe: Equisetopsida
Ordem: Alismatales
Família: Araceae
Subfamília: Aroideae
Tribo: Philodendreae
Gênero: Philodendron Schott
Espécie: Philodendron erubescens K.Koch & Augustin
Cultivar: ‘Pink Princess’

O nome da espécie foi publicado em 1855, embora a referência bibliográfica corresponda à publicação em Index Seminum de Berlim de 1854. O nome Philodendron erubescens é atualmente aceito pelo Plants of the World Online, do Royal Botanic Gardens, Kew

A classificação superior também posiciona Philodendron dentro de Araceae, na subfamília Aroideae e na tribo Philodendreae.


O que significa o nome Philodendron?

O nome Philodendron deriva de elementos gregos associados a “amar” e “árvore”. A denominação faz referência ao hábito de muitas espécies do gênero, que utilizam árvores como suporte para seu crescimento. 

Já o epíteto específico erubescens está relacionado à ideia de avermelhamento ou rubor, coerente com as características avermelhadas observadas em estruturas vegetativas da espécie.

E ‘Pink Princess’?

‘Pink Princess’ é um nome de cultivar, e não um epíteto específico. Por isso, a forma adequada é:

Philodendron erubescens ‘Pink Princess’

O nome da espécie é grafado em itálico; o nome da cultivar é escrito entre aspas simples e não recebe itálico.

É importante também não apresentar como fato consolidado determinadas histórias comerciais que atribuem a origem da cultivar a um cruzamento específico entre espécies. Existem relatos amplamente reproduzidos sobre sua história horticultural, mas não há, nas principais bases taxonômicas consultadas, documentação suficiente para tratar uma suposta genealogia específica como informação botânica estabelecida.


Como identificar o Philodendron Pink Princess

Pessoa observando folha de Philodendron Pink Princess com variegação rosa e verde
A variegação rosa sobre a folhagem verde-escura é uma das características mais marcantes do Philodendron Pink Princess.

A característica mais marcante da Pink Princess é a combinação entre folhagem escura e variegação rosa.

As folhas podem apresentar diferentes proporções entre verde e rosa. Uma mesma planta pode produzir uma folha com pequenas manchas rosadas e, posteriormente, outra com grandes setores rosa. Essa variabilidade faz parte da identidade ornamental da cultivar.

A RHS descreve ‘Pink Princess’ com folhas ovais, de ápice afilado, brilhantes e verde-escuras, apresentando áreas claras e rosas. A NParks, de Singapura, também destaca as folhas verde-escuras com variegação rosa e os caules avermelhados.

Principais características de identificação

  • folhas simples e inteiras;
  • formato cordado a ovado;
  • superfície brilhante;
  • coloração verde-escura, frequentemente com tonalidades vinho;
  • manchas, setores ou faixas rosas;
  • pecíolos avermelhados ou purpúreos;
  • caule avermelhado;
  • hábito trepador;
  • presença de raízes nos nós do caule;
  • folhas novas frequentemente apresentam coloração mais intensa antes de amadurecer.

A espécie original apresenta lâminas foliares que podem ultrapassar 25 cm e, segundo descrições botânicas, possuem base cordada e ápice agudo ou obtuso. Os pecíolos são achatados na face superior. 


A variegação rosa é a principal característica da cultivar

A Pink Princess se diferencia de um Philodendron erubescens comum principalmente pelo padrão ornamental da folhagem.

A variegação ocorre em diferentes padrões:

  • pequenas pintas;
  • manchas irregulares;
  • faixas;
  • setores laterais;
  • grandes áreas rosadas;
  • combinações entre verde, vinho, rosa e, em alguns exemplares, áreas muito claras.

Não existe um desenho único que todas as folhas devam apresentar.

Esse aspecto é particularmente importante para a identificação. Uma Pink Princess não precisa apresentar folhas meio rosas para ser legítima, assim como uma folha predominantemente verde não é suficiente para descaracterizar a cultivar.

A expressão da variegação pode mudar de uma folha para outra. Estudos recentes sobre a micropropagação de Philodendron erubescens ‘Pink Princess’ também destacam a importância da estabilidade fenotípica da variegação para a produção comercial da cultivar. 


Por que as folhas ficam rosas?

Philodendron Pink Princess mostrando folhas com diferentes níveis de variegação rosa e verde
A variegação do Philodendron Pink Princess resulta da distribuição irregular de tecidos com diferentes níveis de clorofila.

A coloração rosa está relacionada à ausência ou redução de clorofila em determinados tecidos da folha, permitindo maior expressão de pigmentos que contribuem para a coloração rosada.

Na Pink Princess, esse fenômeno está associado a uma variegação quimérica, na qual diferentes linhagens celulares coexistem no tecido vegetal. Por isso, o padrão pode variar consideravelmente entre folhas e entre plantas propagadas a partir de diferentes partes do caule. Estudos de propagação da cultivar destacam justamente a preocupação com a estabilidade dessa característica durante a produção de mudas. 

Esse mecanismo também explica uma característica muito conhecida entre colecionadores: a possibilidade de a planta produzir folhas progressivamente mais verdes ou, no extremo oposto, folhas com quantidade muito elevada de tecido sem clorofila.

O verde continua sendo fundamental para a fotossíntese. Assim, a maior quantidade de rosa não significa necessariamente uma planta melhor ou mais saudável.


Caule, pecíolos e raízes

O caule de Philodendron erubescens apresenta crescimento alongado e capacidade de se apoiar em estruturas. As descrições botânicas registram caule escandente, de coloração avermelhada a verde-avermelhada, com capacidade de enraizamento nos nós. 

Essa característica explica a presença de raízes adventícias ou aéreas ao longo do caule.

Os pecíolos são relativamente longos e apresentam coloração que pode variar entre verde, vermelho e púrpura. Na espécie, a descrição botânica registra pecíolos de aproximadamente 15 a 25 cm e lâminas foliares de formato ovado-triangular a sagitado. 

Na Pink Princess, o contraste entre o caule avermelhado, os pecíolos e a folhagem escura contribui para a identificação visual da cultivar.


Morfologia das folhas

As folhas constituem o principal elemento ornamental da Pink Princess.

Na espécie P. erubescens, a lâmina é inteira, com base cordada e formato que pode ser descrito como ovado, triangular ou sagitado, dependendo da fase e da referência morfológica utilizada. As nervuras primárias são evidentes e partem da região basal da lâmina. 

Nas plantas cultivadas como Pink Princess, a folha adulta apresenta normalmente:

  • textura relativamente espessa;
  • superfície brilhante;
  • margem inteira;
  • formato cordado ou ovado;
  • coloração verde muito escura;
  • áreas rosa distribuídas irregularmente;
  • nervura central evidente;
  • pecíolo avermelhado.

O tamanho das folhas varia conforme idade da planta, condições ambientais, suporte disponível e vigor do exemplar. Por isso, uma medida única não deve ser utilizada como critério absoluto para autenticação.



Flores, espata e espádice

Como integrante da família Araceae, o Philodendron apresenta uma inflorescência característica formada por espádice e espata.

No caso de Philodendron erubescens, a descrição botânica registra pedúnculo associado à inflorescência, espata de coloração púrpura-escura externamente e carmim internamente, além de um espádice organizado em zonas florais. 

A estrutura não corresponde a uma flor isolada como ocorre em muitas plantas ornamentais cultivadas por suas flores. Trata-se de uma inflorescência composta por numerosas flores reduzidas, organizadas no espádice e protegidas parcialmente pela espata.

O Jardim Botânico do Rio de Janeiro também registrou exemplares de P. erubescens em sua coleção viva, documentando plantas hemiepífitas com inflorescências de espata vinácea e espádice dividido em zonas de flores unissexuadas. Nos exemplares observados naquele estudo, o fruto não foi observado. 


Como ocorre a polinização?

A biologia reprodutiva dos filodendros é particularmente interessante.

Diversas espécies de Philodendron apresentam associação com besouros polinizadores, atraídos pelas características químicas e térmicas das inflorescências. Estudos sobre características florais de Araceae classificam Philodendron erubescens como espécie tropical, hemiepífita e associada à polinização por besouros. 

A inflorescência apresenta diferentes zonas florais e uma sequência temporal de maturação que reduz a possibilidade de autopolinização imediata. Esse sistema faz parte de uma das relações ecológicas mais especializadas encontradas nas Araceae.

Para a Pink Princess cultivada em interiores, entretanto, a produção de flores e frutos não é uma característica normalmente observada. A finalidade horticultural da cultivar está concentrada principalmente na folhagem.


Distribuição natural e habitat

Philodendron erubescens em floresta tropical com mapa destacando sua origem na Colômbia
Philodendron erubescens em ambiente tropical, com destaque para a Colômbia, sua área de distribuição natural.

É importante separar aqui a distribuição da espécie da distribuição comercial da cultivar.

Philodendron erubescens é nativo da Colômbia. O Plants of the World Online, do Kew, reconhece a espécie como nativa desse país e associada principalmente ao bioma tropical úmido. 

O Catálogo de Plantas e Líquenes da Colômbia registra a espécie como nativa e endêmica da Colômbia, indicando ocorrência na planície do Caribe, com registro a aproximadamente 520 m de altitude. 

O estudo sobre as Araceae da coleção viva do Jardim Botânico do Rio de Janeiro também identifica P. erubescens como espécie ornamental nativa da Colômbia. 

Seu ambiente natural está associado a condições tropicais úmidas e à vegetação onde plantas trepadeiras ou hemiepífitas podem utilizar outras estruturas como suporte.

Distribuição mundial

Atualmente, a Pink Princess possui distribuição horticultural muito maior do que a distribuição natural da espécie.

Ela é cultivada comercialmente em diversos países como planta ornamental de interior e coleção. Portanto, a presença da Pink Princess em um país não significa que a espécie seja nativa daquele território.


Resumo de manejo

Pessoa posicionando Philodendron Pink Princess próximo a uma janela com luz natural filtrada
O Philodendron Pink Princess prefere ambientes bem iluminados, com luz intensa e filtrada ou indireta.

Embora este artigo não tenha como objetivo funcionar como um manual de cultivo, alguns aspectos são fundamentais para compreender a Pink Princess.

Luz

A cultivar apresenta melhor desempenho ornamental em luz intensa e filtrada ou indireta. Recomenda-se luz filtrada ou indireta para a cultivar. 

A luminosidade também é relevante para a expressão da variegação, mas não existe um método confiável para obrigar a planta a produzir determinada quantidade de rosa.

Substrato

O substrato deve apresentar boa drenagem e aeração, evitando compactação e retenção prolongada de água. Recomenda-se um meio de cultivo solto e bem drenado. 

Rega

A espécie prefere umidade adequada, mas não tolera condições permanentemente encharcadas. A referência de cultivo da RHS classifica a necessidade hídrica como umidade moderada, com boa drenagem. 

Temperatura

É uma planta tropical e não deve ser submetida a temperaturas muito baixas. A RHS classifica a cultivar na categoria H1A, indicando cultivo sob proteção durante todo o ano em condições britânicas. 

Propagação

A propagação vegetativa por segmentos de caule é importante para manter as características da cultivar. A Pink Princess também é objeto de pesquisas de micropropagação in vitro, justamente por seu valor como planta ornamental variegada. 


Pink Princess é trepadeira ou planta compacta?

A resposta correta é: trepadeira.

A espécie Philodendron erubescens apresenta caule escandente e capacidade de produzir raízes nos nós, características associadas ao crescimento apoiado. A RHS também classifica ‘Pink Princess’ entre plantas de hábito climbing e trailing. 

Quando jovem, o exemplar pode parecer relativamente compacto. Com o desenvolvimento do caule, porém, a tendência natural é alongar-se.

Por isso, plantas adultas podem apresentar aparência muito diferente de exemplares jovens vendidos em pequenos vasos.


Diferenças entre Pink Princess e plantas semelhantes

A identificação correta é especialmente importante porque o mercado de plantas ornamentais utiliza diversos nomes comerciais para plantas de aparência próxima.

PlantaCaracterística principalDiferença em relação à Pink Princess
‘Pink Princess’Folhas verde-escuras com variegação rosa irregularCultivar de P. erubescens
‘Pink Congo’Folhas predominantemente ou totalmente rosadas em determinados exemplaresNão apresenta o mesmo padrão típico de variegação da Pink Princess
‘White Princess’Folhas verdes com variegação branca ou cremeA coloração característica é branca, não predominantemente rosa
Alocasia ‘Frydek’Folhas verdes escuras com nervuras claras muito marcadasPertence a outro gênero e apresenta morfologia foliar diferente

A própria NParks destaca a semelhança comercial entre ‘Pink Princess’ e ‘Pink Congo’, mas diferencia as duas pela forma das folhas e pelo padrão de coloração. 

Para ampliar a comparação dentro das Araceae ornamentais, vale também consultar a ficha do Alocasia Frydek, outra planta de folhagem valorizada, mas pertencente a um gênero diferente.


Pink Princess e Pink Congo são a mesma planta?

Não.

Esse é um dos erros de identificação mais comuns envolvendo plantas de folhas rosadas.

A Pink Princess é comercializada como cultivar de Philodendron erubescens e apresenta variegação característica em diferentes setores das folhas. Já plantas comercializadas como ‘Pink Congo’ são associadas a um padrão de coloração diferente e não devem ser utilizadas como sinônimo de ‘Pink Princess’. A própria NParks trata as duas separadamente. 

Portanto:

Philodendron ‘Pink Princess’ ≠ Philodendron ‘Pink Congo’.

A diferença é botânica e horticultural, não apenas comercial.


Toxicidade do Philodendron Pink Princess

Como outras espécies de Philodendron, P. erubescens contém cristais de oxalato de cálcio, substâncias capazes de provocar irritação quando partes da planta são mastigadas ou ingeridas.

A North Carolina State University Extension classifica Philodendron erubescens como planta venenosa para humanos, cães, gatos e crianças, relacionando os efeitos aos cristais de oxalato de cálcio. Os sintomas podem incluir irritação da boca e do estômago, enquanto a seiva também pode provocar irritação cutânea. 

A RHS igualmente classifica ‘Pink Princess’ como prejudicial quando ingerida e potencialmente irritante para pele e olhos. 

Por isso, a planta deve permanecer fora do alcance de crianças e animais domésticos, especialmente em ambientes onde folhas podem ser facilmente mastigadas.


Curiosidades botânicas sobre a Pink Princess

1. O nome Pink Princess não representa uma espécie

A expressão identifica uma cultivar. A espécie à qual ela está associada é Philodendron erubescens

2. O gênero possui distribuição naturalmente americana

O gênero Philodendron ocorre naturalmente em regiões tropicais e subtropicais das Américas. O nome do gênero faz referência justamente à associação de muitas espécies com árvores. 

3. A espécie é conhecida desde o século XIX

Philodendron erubescens foi publicado na literatura botânica em 1855, muito antes de a Pink Princess se tornar uma planta de coleção. 

4. A espécie também pode ser encontrada em coleções botânicas

O Jardim Botânico do Rio de Janeiro mantém P. erubescens em sua coleção viva e documentou sua morfologia, inflorescência e ocorrência em cultivo. 

5. A coloração rosa não é simplesmente uma pintura da folha

A aparência resulta de uma característica de variegação associada à organização celular do tecido vegetal. Isso explica por que diferentes folhas podem apresentar padrões completamente diferentes.


Importância ecológica

Na natureza, Philodendron erubescens faz parte de comunidades vegetais tropicais e apresenta uma interação reprodutiva especializada com polinizadores.

Sua inflorescência não é apenas uma estrutura ornamental: ela participa de um sistema reprodutivo que envolve flores especializadas, emissão de sinais químicos e visita de besouros. Estudos sobre Araceae identificam P. erubescens entre as espécies associadas à polinização por besouros. 

A espécie também apresenta características de crescimento compatíveis com o ambiente florestal, como caule escandente e produção de raízes nos nós. 

Em termos ecológicos, portanto, o interesse da planta vai muito além da sua utilização como espécie ornamental.


Conservação

O Catálogo de Plantas e Líquenes da Colômbia informa que Philodendron erubescens é nativo e endêmico da Colômbia, mas registra seu estado de conservação como “No Evaluada” naquela base. 

O Plants of the World Online, do Kew, apresenta uma previsão de risco de extinção que classifica a espécie como não ameaçada, embora com baixa confiança. Essa previsão não deve ser confundida com uma avaliação formal completa da Lista Vermelha da IUCN. 

A Pink Princess cultivada comercialmente, por sua vez, é uma cultivar de horticultura e não deve ser confundida com uma população selvagem da espécie.


O que dizem os especialistas?

As principais referências botânicas consultadas convergem em pontos fundamentais:

Royal Botanic Gardens, Kew: reconhece Philodendron erubescens como espécie aceita, com distribuição nativa na Colômbia e hábito trepador. 

Royal Horticultural Society: reconhece Philodendron ‘Pink Princess’ como cultivar, descrevendo seu hábito, características foliares, dimensões e condições gerais de cultivo. 

Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro: documenta P. erubescens em sua coleção viva e apresenta características morfológicas detalhadas da espécie, incluindo folhas, caule e inflorescência. 

Universidade Nacional da Colômbia: registra P. erubescens como planta nativa e endêmica da Colômbia, com ocorrência documentada na planície do Caribe. 

Essas referências são particularmente importantes porque permitem separar informações botânicas documentadas de histórias comerciais e afirmações não verificadas que circulam sobre a Pink Princess.


Uso ornamental

O principal uso do Philodendron Pink Princess é ornamental.

Sua importância comercial está associada principalmente à folhagem, e não às flores. A combinação de folhas escuras, caules avermelhados e variegação rosa transformou a cultivar em uma planta de destaque para:

  • coleções de Araceae;
  • ambientes internos;
  • vasos ornamentais;
  • jardins protegidos de clima tropical;
  • projetos de interiores;
  • coleções especializadas de plantas variegadas.

A Pink Princess é uma planta adequada para cultivo protegido e como planta de interior. 


Por que a Pink Princess é tão valorizada?

O valor ornamental da Pink Princess está diretamente relacionado à combinação entre características previsíveis e imprevisíveis.

É previsível que a cultivar apresente folhas escuras e variegação rosa. Entretanto, não é possível determinar exatamente o desenho da próxima folha.

Uma planta pode produzir:

  • uma folha com poucas manchas;
  • outra com grandes setores rosas;
  • outra predominantemente verde;
  • outra com padrão intermediário.

Essa variabilidade transforma cada exemplar em uma planta visualmente particular.

Do ponto de vista botânico, porém, é importante não confundir raridade comercial com raridade taxonômica. A Pink Princess é uma cultivar ornamental, enquanto Philodendron erubescens é a espécie botânica à qual ela está associada.


Conclusão

O Philodendron Pink Princess deve ser entendido botanicamente como uma cultivar de Philodendron erubescens, espécie de Araceae nativa da Colômbia. Sua identificação combina o hábito trepador, o caule avermelhado, as folhas inteiras de formato cordado a ovado e, principalmente, a variegação rosa irregular que caracteriza a cultivar. 

O aspecto mais importante para diferenciá-la de outras plantas comercializadas com nomes semelhantes é justamente não tratar a cor rosa como único critério. A Pink Princess pertence a uma espécie botânica bem definida, apresenta características morfológicas próprias e possui uma cultivar cuja variegação pode assumir padrões muito diferentes.

Do ponto de vista botânico, também é importante separar espécie, cultivar e nome comercial. Philodendron erubescens é a espécie; ‘Pink Princess’ identifica a cultivar. Essa distinção evita confusões com outras plantas rosadas, especialmente ‘Pink Congo’.

Seu valor ornamental está na interação entre morfologia, coloração e variegação. Já seu valor botânico vai além da aparência: a espécie apresenta crescimento trepador, raízes associadas aos nós, inflorescências especializadas e relações ecológicas com polinizadores. 

Assim, a Pink Princess não é apenas um filodendro de folhas rosas. É uma cultivar ornamental de Philodendron erubescens cuja identidade resulta da combinação entre uma espécie tropical colombiana e uma característica de variegação que tornou sua folhagem excepcionalmente reconhecível.


FAQ — Philodendron Pink Princess

Qual é o nome científico do Philodendron Pink Princess?

O nome utilizado para a cultivar é Philodendron erubescens ‘Pink Princess’. A espécie Philodendron erubescens pertence à família Araceae. 

Pink Princess é uma espécie de Philodendron?

Não. Pink Princess é uma cultivar de Philodendron erubescens, e não uma espécie botânica independente.

De onde vem o Philodendron Pink Princess?

A cultivar está associada à espécie Philodendron erubescens, cuja distribuição natural é a Colômbia

Por que o Philodendron Pink Princess tem folhas rosas?

A coloração rosa está relacionada à variegação foliar, que altera a distribuição de tecidos com clorofila na folha. Na cultivar, o padrão pode variar consideravelmente entre folhas.

Toda Pink Princess tem folhas meio rosas?

Não. A variegação é irregular. Uma planta pode apresentar folhas com pequenas manchas, grandes setores rosados ou predominância de verde. 

O Philodendron Pink Princess é uma planta trepadeira?

Sim. A cultivar apresenta hábito trepador ou pendente, herdado da espécie Philodendron erubescens.

Qual é a família botânica da Pink Princess?

A Pink Princess pertence à família Araceae, a mesma família que inclui diversos outros gêneros de plantas ornamentais de folhagem. 

Pink Princess e Pink Congo são a mesma planta?

Não. São nomes distintos utilizados para plantas com características diferentes. A Pink Princess é uma cultivar associada a Philodendron erubescens.

O Philodendron Pink Princess floresce?

Pode produzir inflorescências, pois pertence a um gênero de plantas com espádice e espata, mas a floração não é a principal característica ornamental da cultivar e é pouco comum em plantas mantidas como interiores.

O Philodendron Pink Princess é tóxico?

Sim. Philodendron erubescens contém cristais de oxalato de cálcio, que podem provocar irritação quando partes da planta são ingeridas ou quando a seiva entra em contato com tecidos sensíveis. 


Por: Jean Monteiro – Técnico Agrícola

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Autor

Técnico Agrícola, especialista em flores, plantas e cultivo. Aqui compartilho orientações práticas e um acervo completo de informações para consulta e estudo de diversas espécies.

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